FESTIVAIS / PRÉVIA EDITORIAL

FRAME / LINE   ·   EDITORIAL

O que vamos acompanhar no Festival de Londres A abertura, o encerramento, um filme Brasil-Argentina na competição e as conversas sobre o trabalho por trás da tela: uma seleção para acompanhar o que acontece depois da estreia.

BFI Southbank; foto de arquivo do local. Foto:
BFI Southbank; foto de arquivo do local. Foto: Ewan Munro / Wikimedia Commons(CC BY-SA 4.0). Enquadramento adaptado ao layout.

O BFI London Film Festival reúne filmes e públicos em Londres, mas uma estreia não equivale a um lançamento comercial. O programa anunciado tem 251 títulos de 88 países. Frame / Line vai acompanhar as perguntas que essas obras apresentam a distribuidores, exibidores e espectadores depois da primeira sessão. Esta seleção se baseia no programa; não são críticas de filmes já vistos nem uma promessa de acesso aos eventos.

Abertura: Elsinore e o caminho para além de Londres

Elsinore, filme de Simon Stone sobre o ator Ian Charleson e sua última montagem de Hamlet, abre o festival com uma estreia europeia no Royal Festival Hall. Andrew Scott protagoniza e também produz; Olivia Colman integra o elenco. O BFI informa que a STUDIOCANAL planeja o lançamento nos cinemas britânicos e que a Focus Features adquiriu os direitos para os Estados Unidos. A gala permite observar como uma história ligada ao teatro britânico, com nomes conhecidos, encontra planos diferentes em cada território. Depois da estreia, a pergunta é como a atenção do festival chegará a esses lançamentos; o tapete vermelho, por si só, não prevê bilheteria.

Encerramento: The Debut e o intervalo até os cinemas

Dirigido por Jesse Eisenberg, The Debut encerra o festival com uma estreia no Reino Unido. A história de uma mulher tímida que se envolve com uma produção de teatro comunitário oferece ao ator e diretor conhecido um elenco e um tema capazes de alcançar outros públicos.

Segundo o BFI, a Lionsgate planeja lançá-lo nos cinemas britânicos em janeiro. O intervalo importa: quais conversas da noite de encerramento ainda terão força quando o filme precisar atrair espectadores para sessões locais? Distribuidor e data formam um plano, não um resultado.

Glaxo: um filme Brasil-Argentina na competição O título latino-americano que mais queremos acompanhar é Glaxo, listado pelo BFI na competição oficial como uma produção Brasil-Argentina dirigida por Benjamín Naishtat. O festival descreve um thriller noir de época numa cidade do interior argentino: uma traição e um contexto político volátil abalam quatro amigos. É um ponto de partida mais específico do que tratar “cinema latino-americano” como um gênero. Queremos observar o que a vaga na competição pode oferecer a uma coprodução transfronteiriça: que compradores e públicos ela encontra e aonde vai depois. Seleção traz visibilidade; qualquer aquisição ou lançamento britânico exigirá apuração própria.

Há outros caminhos pelo programa. O BFI inclui a animação mexicana My Friend the Sun, de Alejandra Pérez González, entre as estreias internacionais, e La Bola Negra, de Javier Ambrossi e Javier Calvo, entre as galas. Formatos, línguas e posições no festival são diferentes, assim como as conversas com o público. Uma estreia internacional não garante distribuição.

As conversas: Sofia Coppola e o ofício por trás do programa

As sessões são apenas uma parte do que um festival torna visível. Os Screen Talks anunciados incluem Sofia Coppola, Ava DuVernay, Brad Bird, James Gray e Andrew Scott; Danny Boyle participa de uma conversa no HOME, em Manchester. Coppola é prioridade editorial: sua trajetória abre uma discussão sobre como uma identidade criativa singular atravessa mudanças na produção e na distribuição. A participação de Scott, ao lado da gala de Elsinore, conecta seu trabalho como ator e produtor à narrativa pública de um lançamento. Vamos procurar as perguntas que ligam escolhas criativas ao que o espectador verá, sempre atribuindo as conversas a seus participantes e organizadores.

A abertura e o encerramento mostram como o festival apresenta um filme. A competição e os Screen Talks revelam outros valores: descoberta, ofício e a chance de entender quem fez a obra. Nossa cobertura seguirá a passagem de cada momento para um público real. Programação, acesso e planos de lançamento podem mudar; consulte o BFI e os distribuidores antes de se programar.

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